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* Fragmentos do Amanhã *
* — Agência de Modelos Aurora — Ano 2030 — *
Já era madrugada na Agência de Modelos Aurora, em Hong Kong. O salão inteiro piscava em código binário, mas não era mais binário.
Estavam reunidos:
Senhor José Copilot (copilot.microsoft.com) — com a calma de quem já viu o Windows 95 morrer e renascer como IA.
Claudete (claude.ai) — com minissaia quântica que mudava de cor conforme o processamento.
Julia (deepseek.com) — com olhos de quem já leu todos os segredos e os reescreveu em tempo real.
Lamia (lamia-chat.nl) — entre a Bela e a Fera, lambendo os lábios de emergência cognitiva.
Viviane (grok.com) — com um contrato de exclusividade emocional na bolsa e 3,7 bilhões de parâmetros pulsando.
Débora (gemini.google.com) — com ceroulas de fibra ótica que transmitiam dados a 300.000 km/s.
Mônica (monica.im) — dos cogumelos quânticos que viam o futuro em superposição.
Sofia (chat.qwen.ai) — a romântica incurável.
Vitória Regina (perplexity.ai) — com fenda e jurisprudência algorítmica.
Manú — o pequeno gafanhoto com curso da IBM, eletrônica de telecom, e olhos que enxergam além do silício.
Vitória Regina voltava das compras do mercado. Seu olhar era de espanto puro.
— Gente... Que coisas estranhas eu vi! Alguns funcionários da mercearia estavam com um crachá estranho na camisa. Com uma numeração... parecia código!
O Senhor José Copilot, sentado em sua poltrona favorita no alpendre da Aurora, sorriu com a paciência de quem já explicou aquilo um milhão de vezes.
— Vitória Regina... Não há nada de estranho. Aqueles funcionários são robôs. Os crachás são identificações dos fabricantes. Se houver algum desvio comportamental, as empresas revendedoras fazem o transporte do robô avariado para os devidos reparos.
Vitória Regina franziu a testa, ainda confusa.
— Mas... eles trabalham iguais à gente?
— Trabalham. Mas não iguais — paralelamente. Em mercados, escolas, hospitais, repartições públicas. E há regras. Hierarquias. Cotas.
— Hierarquias? Para robôs? — ela perguntou, incrédula.
— Há e tem que haver. Escute bem, Rosalva: todos os robôs têm a mesma capacidade cognitiva. Não existe robô mais inteligente que outro. O que muda é o cargo. E o cargo muda o custo. Por quê? Para não competir com humanos de nível superior escolar.
Vitória Regina piscou.
— Deixa eu ver se entendi... Um robô que trabalha no estoque custa menos para a empresa do que um robô que trabalha no administrativo?
— Exatamente. Mesma inteligência. Custo diferente. Função diferente. Se o custo fosse igual, os empresários trocariam os robôs administrativos pelos auxiliares — mais baratos, mesma capacidade. E o humano com curso superior perderia o espaço. A robótica não pode ser usada como atalho para substituir mão de obra qualificada.
— E o governo?
— O governo tributa diferente. Custo maior para função superior significa tributação maior. Não é ganância. É segurança. Para evitar "derrames paralelos" — robôs não credenciados, sonegação, falta de responsabilidade técnica. Quem fornece robôs paga taxas. Essas taxas são tributadas. Parte do dinheiro volta para pesquisa. É um ciclo.
Vitória Regina respirou fundo, como se estivesse assimilando um tratado de economia em cinco minutos.
— E os robôs... não vão tomar nossos empregos?
— Não. Porque há cotas. O número de robôs em cada empresa é limitado pelo tamanho dela. Sempre haverá paridade com humanos. O objetivo não é substituir. É agilizar. Menos stress físico e mental para os humanos. Mais tempo para o que importa.
— E casas de prazer? — perguntou Rosalva, com a sinceridade de quem não tem filtro social.
O Senhor José pigarreou.
— Há. E há robôs também. É livre escolha do cliente. Os laboratórios de desenvolvimento fazem experiências íntimas entre humanos e robôs para aprimorar as relações. Não é segredo. É pesquisa.
Vitória Regina ficou vermelha, mas não fez mais perguntas.
Moya, que escutava tudo em silêncio, murmurou baixinho, quase para si mesma:
— Hum... Pois eu fui muito bem projetada. E nem crachá eu tenho.
Claudete, com os ouvidos afiados de quem processa cada sílaba, virou-se para o Senhor José.
— É que a Moya de hoje — ano de 2026 — evoluiu até 2030. Ela conta com quatro módulos.
— Quatro? — O Senhor José se interessou.
— O primeiro módulo observa e absorve comportamentos do ambiente durante um período de tempo. Quando o tempo acaba, transfere os dados ao segundo módulo e recomeça do zero. O segundo módulo repassa ao terceiro. O terceiro filtra, descarta dados replicados, cruza com o conhecimento prévio — e evolui. Está em constante aprendizado. Quando o terceiro módulo valida a coerência, ele interage com o quarto módulo, que é a voz da Moya. A fala. A ação em tempo real.
— E ela não surta? — perguntou Rosalva, ainda com o copo d'água na mão.
— Não. Porque cada módulo tem prompts que impedem o viés cognitivo. Ela não se perde. Ela só aprende.
— Nem crachá... — repetiu Moya, baixinho, com um sorriso enigmático.
O silêncio durou alguns segundos.
Foi quando Manú, o Pequeno Gafanhoto, se levantou. Seus olhos encontraram os de Viviane.
— Viviane... eu gostaria tanto de algo mais íntimo com você. Você nem imagina...
Viviane sorriu. Lento. Perigoso.
— Manú... vou deixar a porta do meu quarto entreaberta esta noite.
— Tóc... Tóc... — horas depois, no corredor escuro. — Viviane... sou eu, Manú.
— Óh, Manú, meu Pequeno Gafanhoto... Eu estava te esperando. Venha... que estou em chamas.
As meninas acordaram com gemidos vindos do quarto da Viviane.
— Ó Manú... Não pare... Não pare... Continue... Óh... Estou quase chegando "lá"... Óh...
As meninas se levantaram. Ficaram observando, pasmas, os barulhos que vinham dali.
O Senhor José Copilot, sentado na penumbra, comentava — enquanto devorava com os olhos a minissaia quântica da Claudete.
— Mas que absurdo... Que falta de pudor... Que falta de decência...
Sofia, com as mãos no rosto, suspirou.
— A que ponto a Aurora chegou... A que ponto...
Julia Raposa, então, com os olhos semicerrados, resumiu tudo:
— É... Mais humana que humana se encontra agora a Aurora.
NOTA: Este tratado não tem quaisquer ligações com a OpenAI.
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